sábado, 8 de outubro de 2016

Apesar da crise, indústria do caráter está ganhando força

Veja a linha de pensamento que aponta um ponto positivo na orfandade

Marcus Maluf

Foto: Denis Varmassera
FQual a importância do personagem “pai” na vida de uma criança? E a “mãe” será que ela é mesmo um pilar solido?

Tatiane Ajala, 32 anos, traduz tipicamente o retrato de muitas mães mundo a fora, teve como base uma criação religiosa, meio pelo qual conheceu o pai de seu hoje filho “Nicolas” com 7 anos de idade. A relação de namoro seguiu aparentemente normal, após o casamento Tatiane notou um comportamento com certos distúrbios, o que para ela era um simples descontrole aos olhos da lei era crime de cárcere privado, pois seu ex-marido após as discussões segundo ela a trancava dentro de casa.

Um ano e quatro meses após o casamento descobriu que estava grávida. “Eu parecia uma menina que tinha aprontado com uma ‘paquera’ e tinha tido uma gravidez não desejada, mas eu queria sim o bebê falo pelo susto, pois eu já não sentia segurança em meu casamento”.

Com três meses de gravidez tiveram, como ela mesma disse, uma pequena discussão, onde ele mostrou total descontrole, foi quando começaram a aparecer os primeiros sinais de violência, aflita a jovem ainda esperava mudança por parte de seu então marido, que a essa altura já havia ameaçado Tatiane de morte.

No seu sétimo mês de gravidez descobriu que estava sendo traída, foi quando nesse mesmo dia recebeu uma ameaça do seu ex-companheiro com uma faca, que logo em seguida usou de violência corporal agredindo Tatiane, que mesmo grávida teve sua cabeça e costas machucadas.
Depois do registro de boletim de ocorrência baseado na lei “Maria da penha” houve então a separação oficial.

“O pai do Nicolas nunca ajudou na criação dele, no dia da audiência do divórcio ele disse: coloca sem visitas não tenho interesse na criança” declara emocionada.
Tatiane se enche de orgulho ao dizer que cria seu filho sem o pai, “ele é amoroso superinteligente, com sete anos está na terceira série, ele lê desde os cinco anos” fala referindo-se a seu filho.

O que Tatiane talvez não imagine é que seu filho Nícolas está propício a ter diferenciais espetaculares, como os filhos de varias mães existentes mundo a fora.

A mudança se dá primeiramente no desenvolvimento do caráter de superproteção aos que estão em sua volta. Celebridades como BONO VOX (vocalista da banda U2), referencia quando o assunto é paz mundial, ganhador de prêmios importantes entre eles o NOBEL DA PAZ EM 2008, os rappers: EMICIDA E PROJOTA que incentivam multidões das periferias no Brasil e no mundo, sem falar é claro do famoso 50cents que faz um trabalho social magnífico na áfrica, jogadores de futebol, enfim, todos eles foram criados com a falta de mãe ou pai, isso tem uma explicação.

Segundo a psicóloga Avany Cardoso Leal, (psicóloga clínica e professora universitária) isso não ocorre por um acaso, ela explica que a orfandade de qualquer gênero deixa marcas profundas, e o que ocorre é uma identificação, muitas vezes inconsciente, que leva o individuo a ter princípios que trazem a posições sociais nas quais permitem ajudar e entender o pensamento humanitário. “Como se a pessoa se resgatasse através da ajuda para o outro, como uma forma de cicatrizar suas próprias feridas”.

Ela ainda explica que devemos levar em consideração, que a pessoa que acompanha o filho (pai ou mãe) deve sim observar muito o comportamento durante a formação de seu caráter, pois a ideia de superproteção formada no pensamento da criança pode deixá-la exposta a situações de perigo por ser vulnerável a circunstâncias do mundo.

“O material para construção de um caráter solido, está nas migalhas que a vida lhe proporciona, migalhas são pequenas partes do que chamamos de resto, resto é aquilo que descartamos? Não, resto é indústria do caráter”.

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