quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Três profissões: quanto mais se trabalha menos se ganha no Brasil


Pesquisa revela que o mesmo fenômeno acontece em todo o mundo

Tero Queiroz


Apesar da aparente igualdade entre os sexos, os salários entre homens e mulheres continuam sendo diferentes. Mas não só esse ambiente desagrada a maioria dos trabalhadores, além das diferenças de salário por gênero, sobressaem as diferenças por tempo de execução do trabalho, ou seja, quanto mais se trabalha menos se ganha no Brasil.

Aos brasileiros são pagos salários baixos em comparação com os demais países, destaque entre os povos que mais trabalham atualmente no mundo. Os dados coletados pela OCDE - Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico - recentemente, fomentaram essa diferença na Europa e nos Estados Unidos.

O Brasil não fez parte desse estudo, mas é fácil comparar com os países nele incluídos. As diferenças salariais são abissais, chocantes: na Austrália e Luxemburgo, onde estão os melhores salários médios do mundo, aproximam-se de R$6.000 mensais e seus cidadãos estão entre os que menos trabalham no mundo. Esse mesmo quadro - salários elevados e poucas horas trabalhadas - se repete na Alemanha, Suíça, Noruega, Holanda, Dinamarca, Bélgica, Canadá e tantos outros.

Para comparação mais atenuada, a reportagem seguiu durante apenas um dia a vida de três personagens importantes para a economia e sociedade como um todo. São eles um político; vereador Otávio Trad (32 anos); uma professora de educação pública; Rosangela Amaro (45 anos); e um trabalhador e estudante; Marcos Maluf (32 anos), todos eles moradores de Campo Grande, estado de Mato Grosso do Sul, no Brasil.

Terça-feira, 25 de setembro de 2018, são exatamente 7h30 da manhã. Nosso repórter está em frente a um prédio em Campo Grande. Hoje acompanharemos um pouco do dia de trabalho do vereador, que pediu que a reportagem fosse feita hoje, terça-feira, “por que é um dia que tenho sessão [na Câmara], dia de sessão você pega os compromissos mais importantes”, explicou em mensagem enviada ao repórter.  

IFrameOtávio nos leva para conhecer seu gabinete de trabalho. O vereador conta que terá uma reunião e depois irá ao plenário da Câmara do Vereadores. Ele explica em detalhes seu cronograma pela manhã. 


IFrameTerça-feira, 02 de outubro de 2018, são exatamente 11h15 da manhã. Nossos repórteres estão em frente à Escola Municipal Danda Nunes, no Bairro Vivenda do Bosque em Campo Grande – Mato Grosso do Sul, nessa escola trabalha a professora Rosangela Amaro de Lima, professora de matemática. Rosangela agora segue para seu carro após acabar mais uma manhã de trabalho, está indo para sua casa almoçar. Rosangela explica que gasta 30 minutos para vir, “Tenho que sair de casa as 6h20, se não, não dá tempo! Tenho que estar lá as 7h, chego faltando dez minutinhos”, conta a professora que ainda vai encarar mais dois turnos de trabalho.


IFrameO trabalhador, Marcos Maluf, que trabalha pela manhã em um frigorífico, a tarde em um site como fotógrafo e a noite cumpre horários como estudante no curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, conta um pouco de sua rotina de trabalho.


Quarta-feira, 9h20 minutos, Maluf conta em vídeo sobre sua manhã de trabalho. "Eu sou eletricista industrial, estou agora em cima de um telhado, acordei cedo. É uma adversidade muito grande, a diferença é muito grande de um trabalho para outro. Esse é um trabalho 'periculoso' (sic), mais tarde vou fazer foto jornalismo em uma segunda jornada. No Brasil se temos pouca oportunidade temos que criar, e isso me faz acordar todo dia", explica Marcos. 

Maluf é pai de uma filha e vive em Campo Grande. Cursando Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo na universidade Uniderp-Matriz, polo localizado na Avenida Ceará, 333 na cidade. 

Após encerrada a sessão na Câmara Otávio Trad nos contou pouco sobre sua agenda, e nos convidou para acompanhá-lo a noite, onde ele faria a abertura de jogos dos funcionários públicos da cidade.

Terça-feira, 20h23 minutos, nossos repórteres acompanham ainda o vereador, ele fará a fala de abertura dos jogos. Em sua fala de abertura o vereador brinca sobre a liderança de um time dos times, os times são divididos por órgãos públicos que estes funcionários representam. No local há banda formada também por funcionários [representado em fotojornalismo na galeria], trata-se de um encontro de lazer desses trabalhadores. A abertura da sessão na Câmara será representada nas imagens a seguir:


Cerca de 30 minutos depois, os repórteres chegam na casa da professora de matemática, Rosangela Amaro. Ela desce do carro e convida os repórteres a entrar em sua casa. Rosangela ainda convida os repórteres para um almoço após apresentar sua casa e sua família. Na casa vivem Rosangela e os dois filhos, apenas Rosangela trabalha.


IFrameO gasto mensal da casa de Rosangela não nos revela, mas conta que gasta de R$ 400 à R$ 500 reais todo mês apenas com transporte. E que sua renda mensal total é de R$ 7 mil.  Após almoçar Rosangela dará aula em outra escola, na Escola Estadual Sebastião Santana de Oliveira, no Bairro José Abrão. “Eu entro as 13h lá, aí a noite leciono na mesma escola”, conta a professora.

Ainda no trajeto até o “segundo turno” de trabalho, Marcos Maluf conta sobre sua satisfação salarial, Maluf tem carro próprio de custeia também seu combustível de um trajeto para outro de trabalho. 



IFrameOtávio Trad conta ao repórter que seu ganho mensal é de R$ 11 mil reais, mas explica também que no dia que foi acompanhado, o repórter não havia deixado claro que seria uma entrevista sobre seu cargo de vereador. Veja a mensagem:

Professora Rosângela, finalizou o encontro com a reportagem as 14h21 minutos, momento em que os repórteres deixaram a sala de aula em que ela lecionava. A aula que falava sobre ‘Matemática Financeira’, direcionada a uma turma de ensino médio.

A análise de ganho das três profissões mostra os resultados na prática de pesquisa de ganho ainda não realizada no Brasil. Mas que na análise realizada pela OCDE permite concluir que os países do Norte da Europa e alguns do Centro, são os mais privilegiados na equação trabalhar menos e ganhar melhores salários. São países com alta produtividade e que pouco produzem bens de baixo valor de compra - roupa ou calçado - e privilegiam a produção dos melhores carros do mundo e de equipamentos altamente sofisticados.

No comparativo ao levantamento desta pesquisa, brasileiros poderiam trabalhar mais que em tempos de escravidão e ainda assim não receberiam nem mesmo a metade do que alguns povos europeus recebem.

Além da produtividade ser baixa no Brasil e em muitos outros países, o debate que está posto na Europa e EUA é o da qualidade de gestão. Admite-se como fator coadjuvante à produtividade, a má qualidade dos gestores para não ultrapassarmos a barreira de trabalhar muito e ganhar baixos salários.

Galeria de fotos:











*Fotos e vídeos: Eva Elvina


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