segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Violência contra a mulher: um fenômeno que precisa ser erradicado


A persistência na violência doméstica no Brasil. Uma lacuna que precisa ser preenchida com ações firmes.


Alexander Vieira


Reprodução/ Internet

Há muito tempo o tema é debatido, comentado, muitas vezes solucionado. Mas o que realmente acontece nos dias atuais para que o número de agressões contra as mulheres cresça desesperadamente? A incidência relevante causa traumas em toda uma comunidade. Onde está erro? Existe um limite que precisa ser quebrado. O mal precisa ser eliminado das famílias brasileiras.
A violência seja ela física, verbal ou psicológica, afeta uma casa, uma família e uma sociedade inteira, e por isso deve ter um respaldo maior como qualquer outro crime. Penas mais severas e de longa duração seriam o suficiente? Sabe-se que aquele que é capaz de constranger, intimidar, ameaçar, pode também matar.
Dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) revelam um crescimento de 16% nos casos registrados, o que induz a pensar que o número real é bem maior. Atualmente existem leis punitivas contra crimes como esse, porém há uma persistência drástica no contexto a qual está inserido. Percebe-se que mesmo com tantas ações, as punições ainda não conseguem intimidar os agressores. O desprezo pela classe feminina pressupõe algo inerente à desvalorização da mesma em relação aos militantes do sexo oposto.
Em 2015 foi inaugurada em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, a primeira Casa da Mulher Brasileira. No entanto, de lá pra cá o número de violências chegou a índices alarmantes. Umas das violências mais graves, a física, impera há vários anos nos lares brasileiros. Pessoas descontroladas, famílias desestruturadas, e uma sociedade caótica. Recorrentemente, existem diversos casos em que as vítimas se acanham em denunciar o agressor. Em muitas situações, a vingança desses intimidadores, depois de cumprida a punição, faz com que a vítima se submeta ao silêncio, não permitindo a si mesma o direito de viver em liberdade, longe de barbáries como essa.
O que deve ser contestado:
* A ideia de que mulheres sempre são rivais;
* Que disputam a qualquer custo a atenção dos homens, o cargo na empresa, a coroa de rainha do baile;
* Alfinetadas e a visão deturpada e inconsistente de que “mulher não é amiga de verdade de outra mulher”;
* Não acreditar que juntas são melhores, mais fortes, menos fragilizadas, mais capazes;
* Que a “amante” é a grande vilã do casamento (sendo que o homem também tem poder de escolha);
Sororidade – a mudança
Ações de mulheres para ajudar as mulheres. Sororidade vem no latim sóror, que significa “irmãs”. Este termo pode ser considerado a versão feminina da fraternidade. Consiste no não julgamento prévio entre (e contra) as próprias mulheres. Elas, na maioria das vezes, ajudam a fortalecer estereótipos preconceituosos criados por uma sociedade machista e patriarcal.
Os números em relação à mulheres ainda são alarmantes: 12 mulheres assassinadas, por dia, em média, no Brasil; 4.473 homicídios dolosos aconteceram no país, em 2017; 946 deles, feminicídios; 96.612 mulheres assassinadas entre 1980 e 2011; 41% dos brasileiros (ou 52 milhões de pessoas) conhecem algum homem violento com a parceira
O outro lado
*US$12 trilhões seriam acrescentados ao PIB global com a redução da desigualdade de gênero, em 2025;
* US$ 28 trilhões acrescentados ao PIB, no cenário de potencial máximo das mulheres;
* US$ 410 a US$ 850 bilhões seria o aumento no PIB somente no Brasil.
Por que não acontece?
* Iniciativas, projetos e estudos para a concretização desses fatos ainda são pontuais;
* Estatísticas econômicas não têm dados numéricos confiáveis;
* Ações para o universo feminino não avaliam o retorno os impactos financeiros;
* Pesquisas não avançam por falta de financiamento ou de recursos humanos.
Os avanços nas redes sociais
As buscas pela palavra feminismo, especificamente, cresceram 200% nos últimos dois anos, e a procura de informação sobre machismo cresceu 163%, no período. Feminismo negro é 65% mais procurado hoje do que em 2016.
Portanto, essa cultura a qual vive a sociedade deve ser trabalhada e contestada. Haverá, sim, um índice retrógrado se o tema for trabalhado de maneira ampla e bem planejada, começando com as instituições formadora base, onde casa e escola trabalham juntas.

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